Home / Opinião / Lula critica apostas online como “questão de saúde”, mas governo lucra bilhões com setor regulamentado

Lula critica apostas online como “questão de saúde”, mas governo lucra bilhões com setor regulamentado

O debate sobre as apostas online no Brasil ganhou um novo capítulo após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passou a defender restrições mais duras ao setor, classificando o problema como uma “questão de saúde” e alertando para o impacto do vício nas famílias. A fala ocorre em um contexto que expõe uma contradição evidente dentro do próprio governo.

Desde 2023, o Brasil não apenas legalizou como também regulamentou o funcionamento das chamadas “bets”. A legislação sancionada pelo próprio governo estabeleceu regras claras para operação e, principalmente, criou um modelo de arrecadação. As empresas passaram a pagar impostos sobre suas receitas — inicialmente cerca de 12% sobre o faturamento líquido — além da cobrança de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos dos apostadores.

A justificativa oficial foi simples: regular para arrecadar e controlar. Antes disso, muitas plataformas atuavam sem recolher tributos no país. Com a nova lei, parte da arrecadação passou a ser destinada a áreas como saúde, educação, esporte e segurança pública.

Na prática, o setor se tornou uma nova fonte de receita. Em 2025, o governo federal arrecadou bilhões com apostas online, consolidando o segmento como um dos mais lucrativos dentro da nova política tributária.

Ao mesmo tempo, o próprio governo discute aumentar ainda mais essa carga, com propostas que elevam gradualmente a tributação das empresas até 2028.

É nesse cenário que surge a crítica central: o governo que hoje aponta os riscos sociais das apostas é o mesmo que regulamentou, expandiu e passou a depender financeiramente desse mercado. Ao tratar o tema como problema de saúde pública — citando vício, endividamento familiar e impacto social — o discurso entra em choque direto com a política econômica adotada.

A contradição é clara. Se o setor representa um risco tão elevado à população, por que foi institucionalizado e incentivado via regulamentação? Por outro lado, se a atividade é considerada legítima a ponto de gerar bilhões em arrecadação, até que ponto o discurso alarmista não se torna também político?

Na prática, o governo tenta equilibrar duas agendas opostas: arrecadar com as apostas e, ao mesmo tempo, sinalizar preocupação social com seus efeitos. Esse tipo de abordagem levanta um questionamento inevitável: o Estado está combatendo um problema ou lucrando com ele?

O resultado é um modelo ambíguo. De um lado, as bets são legalizadas, taxadas e integradas à economia formal. Do outro, são tratadas como ameaça à saúde pública. Essa dualidade expõe uma tensão típica de políticas públicas baseadas em arrecadação: quando o problema gera receita, o combate tende a ser limitado.

No fim, o debate sobre as apostas online no Brasil deixa de ser apenas moral ou social e passa a ser, sobretudo, econômico. Afinal, quanto mais o governo arrecada com o setor, mais difícil se torna justificar sua própria eliminação.

➡️ Leia mais no monsenhortabosanews.criarsite.online

👨🏽‍💻 Redação

📱 Siga o @mtnews2026_

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *