A violência de gênero contra a mulher segue crescendo no Brasil, mesmo com leis, campanhas e programas públicos. Medidas como a Lei Maria da Penha, o uso de tornozeleiras eletrônicas, o chamado “spray de defesa” e o próprio Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio foram criadas como respostas institucionais. No entanto, os números recentes mostram que a realidade pouco mudou.

Dados divulgados em 2026 indicam que o país registrou 399 feminicídios apenas entre janeiro e março, o maior número da série histórica para o período, com média de uma mulher assassinada a cada cinco horas. Em 2025, o total já havia sido recorde, com mais de 1.500 vítimas, o que reforça a escalada contínua da violência.
Casos recentes mostram que o problema vai além das estatísticas. Em abril de 2026, a modelo brasileira Ana Luiza Mateus morreu após cair do 13º andar de um prédio no Rio de Janeiro, em um caso investigado como feminicídio após relatos de violência no relacionamento. Episódios como esse reforçam um padrão recorrente: relações abusivas que evoluem para mortes, muitas vezes mesmo após sinais claros de risco.
No Ceará, a situação também preocupa. Levantamentos mostram que cidades com registros de feminicídio ainda não possuem estrutura adequada de proteção, como delegacias especializadas ou equipamentos de apoio, dificultando o acesso das vítimas à rede de segurança. Ao mesmo tempo, órgãos como a Defensoria Pública relatam milhares de atendimentos e reforçam que novos casos continuam surgindo semanalmente.
Apesar disso, o país segue investindo em campanhas, palestras e programas institucionais. O Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio foi lançado como prioridade política, prometendo integração entre poderes e mais rigor contra agressores. Ainda assim, especialistas alertam que o problema não está mais na falta de leis, mas na incapacidade de fazê-las funcionar na prática.
A crítica é direta: medidas protetivas são descumpridas, agressores continuam sendo liberados em audiências de custódia e mecanismos como tornozeleiras ou dispositivos de segurança não impedem crimes. O resultado é um ciclo repetido de violência, denúncia e morte.
No Brasil e no Ceará, a sensação é de que se legisla muito, mas se executa pouco. Enquanto isso, os números seguem subindo e os casos se acumulando. Sem fiscalização, punição efetiva e proteção real às vítimas, novas leis tendem a repetir o mesmo destino: existir no papel, enquanto a violência continua nas ruas e dentro de casa.
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